OuTrO LaDo dA mArGeM


14/11/2009


 

 

Ali na via

Ela

Magrela

Velando ele

Que circulava

Com ela

 

Ali na via

Ela

Vestida de nada

Branquela

Guardando ele

Enfeitada de flores

E seqüelas

 

Ali na via

Ela

Viva

Morta

Bela

Lembrando ele

Que vivia por ela

 

(Homenagem ao ciclista e biólogo Pedro Davison, que morreu atropelado,em Brasília, aos 25 anos, em agosto de 2006)

 

Escrito por lilia-dinizz às 13h23
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30/09/2009


 

 

4.1

 

Minha loucura

é continuar te amando

mesmo sabendo

que teu corpo dividido

não é inteiramente meu

 

Me perco no teu riso

de menina

me encontro nos teus olhos

de mulher

e já não sei mais quem sou

 

Se digo que sou teu

estou perdido

nas tuas mãos inseguras

na tua boca abismo

no teu sexo proibido

que de tão proibido

é intensamente meu

 

Quero tua bárbara

e profunda

certeza de nada

 

A mim basta a loucura

desse querer

que sequer garante

a existência desse poema

que para ti desfolho

 

Escrito por lilia-dinizz às 11h59
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27/09/2009


Calvário para mim

é carregar o gosto do beijo

nunca dado.

Cruz da minha alma

é saber que você

é pecado

que nunca irei

cometer

Tristão e Isolda com a poção mágica, por John William Waterhouse (c. 1916).

Escrito por lilia-dinizz às 18h47
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21/09/2009


 

 

 

4.0

 

Não quero de ti

apenas o nome

posto que é abstrato,

pode ser de outro

qualquer.

 

Para reinventá-lo

preciso apenas

entrelaçar minha

língua a tua

cavalgar

no vai e vem

dos teus quadris

 

Quero tua boca

pele, ventre,

nuca, gosto

mãos, saliva

sussurro e gozo

Nome não!

 

 

(foto: http://i.flogvip.net/fotos/v/e/r/vera/f/20071024174346617.jpg )

Escrito por lilia-dinizz às 16h14
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25/06/2009


3.5

 

Desgrenhando

teus cabelos

me rasgueio em poesia

e me (re)encontro

nas aldeias

do teu corpo

Escrito por lilia-dinizz às 23h26
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18/06/2009


  

 

 

 

3.4

Viver contigo
dormir sol
acordar lua
e catar estrelas
no espaço
entre um  beijo
e outro

Escrito por lilia-dinizz às 19h38
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12/06/2009


3.2

 

Maldito seja o tempo
que nos rouba
o instante eterno
do gozo

Ainda que teu nome
marítimo
navegue as ondas
da minha existência

Maldito seja o tempo
que furta
o caminho pagão
dos teus beijos

Ainda que esteja
calcinado em minha língua
teu gosto vulcão

 

 (Camille Claudel, Clotho Calva, 1893. Gesso. Paris, Musée Rodin)

Escrito por lilia-dinizz às 18h04
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3.1

Descer do céu

nas escadas do teu beijo

é padecer de amor

nas labaredas

do teu corpo

Escrito por lilia-dinizz às 16h35
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21/05/2009


2.7

Minha boca faminta

devorando tua língua

minha língua sacana

tarando versos

que borbulham

nas chamas

no teu corpo

 

Minha língua desvairada

linguando versos

no universo de tuas coxas

em teu pescoço de lótus

em teu ventre de Vênus

entranhas que devoro

adentro

desvendo

 

Minha língua estúpida

quente e tarada

metáfora

 

Minha língua

sem nexo

teu gozo

linguagem

na palavra entremeada

urdida

tramada

fundida a ferro e fogo

minhas mãos

teu gosto

teu gozo

poemaconcreto

Escrito por lilia-dinizz às 17h21
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23/04/2009


2.4

Não minha doce Açucena!

Não quero falar de poesia

posto que o desejo

queima minha língua

sem metáforas

 

Te quero indecente

depravada

nua sem prosa

nem verso

 

E se tiver que ter

romance

que seja escrito em Braile

nas páginas do teu corpo

para que eu te leia

antes com a língua

Escrito por lilia-dinizz às 15h49
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21/04/2009


2.4

Passeio meus olhos

pelos teus seios em erupção

tateio teus pêlos ralos

devoro tuas costelas

profano pétala por pétala

tua flor encarnada

entranhada

entre

tuas pernas

 

 

 

http://images.quebarato.com.br/photos/big/B/3/E27B3_1.jpg

Escrito por lilia-dinizz às 11h56
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17/04/2009


2.3

Para além dos perigos

que corremos

para o bem dos castigos

que sofremos

traduzidos no verbo língua

 

Língua com língua

aos poucos saboreamos

a pele

 

Sentidos (in)versos

às avessas

pelo corpo

devorados

perigos e castigos

 

Línguas poemadas

línguas conjugadas

línguas esfomeadas

nas fendas entreabertas

do desejo liberto

Escrito por lilia-dinizz às 00h11
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16/04/2009


2.1

Pra tua sede

insaciável

água só no céu

da minha boca

e na infinidade

da minhas pernas

entreabertas

abertas

entreti

entremim

entreti

entremim

Escrito por lilia-dinizz às 21h00
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2

 

Habitam no seio da tua alma

trovões de seda

que ao sussurrarem

despertaram primaveras

em mim

 

Eclodem bugaris, miosótis

e um ser/tão

adormecido

de desejos

 

Ecoam em minha pele

e acordam o sono profundo

de minhas pálpebras cerradas

costuradas com o fio

da tua ausência

 

 

Acalentando e guardando

na caixa do poema

o medo das noites

que passei sem ti

 

 

Escrito por lilia-dinizz às 20h45
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10/04/2009


 

1.9

Agora deixemos

a poesia de lado

vamos consumar

um ato sonoro escandaloso

acordar as paredes

 

Dá-me

tuaboca

teuseios

tuasmãos

teuspés

teusexo

 

um pouco deste sol

que trazes

entre as pernas

incendeia meu planetacorpo

deixa a constelação dos meus sentidos

insanoincandescentes

meus olhos em eclipselunática

cometatesão

em órbitatranse

que rege

o signodomeudesejo

 

http://www.condonare.com.br/BeijoEstiloB.JPG

Escrito por lilia-dinizz às 18h14
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